Foda da Saudade

Outubro 18, 2007

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Nunca me considerei um saudosista, apesar de ter bastante coisas a saudar. Dia desses lembrei-me de não lembrar de minha aula da saudade pelo simples fato de não ter comparecido ao evento. Quem foi me falou que foi a mesma coisa de sempre: gente que mal se falava cumprimentando-se como velhos amigos, juras de amizades eternas que seriam desfeitas nas semanas seguinte, reconciliações alcoolizadas e coisas do tipo.

Se a aula da saudade é um evento que marca o fim de uma fase na caminhada dos alunos, por que não estender o conceito para outras etapas da vida como, por exemplo, o casamento? Nos moldes da “aula da saudade” poderíamos fazer a “foda da saudade”! Alguém pode argumentar que já existe algo para marcar esse período de mudança, a tradicional “despedida de solteiro”. Negativo, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Na despedida de solteiro tem strippers, no máximo uma singular transa aleatória antes da deposição para a ditadura monogâmica. Na foda da saudade, assim como na equivalente acadêmica, aconteceria um “revival” dos tempos passados, um encontro entre colegas que marcaram nossa vida e já dão saudade.

Como todas as cerimônias, essa precisaria ser metodicamente planejada. No caso dos homens, o padrinho se encarregaria de contatar toda e qualquer mulher já comida pelo noivo. Seriam reunidas e posariam todas nuas para a foto oficial do evento, a ser distribuído para a família da noiva (comprovando a virilidade do rapaz, sinal de bons genes para o futuro rebento da família) para, finalmente, iniciar-se o evento. Elas entrariam nuas em fila indiana (no caso da noiva, a fila de rapazes precisaria, por motivos óbvios, de outra formatação), uma a uma, para serem, como nos velhos tempos, consumidas pelo noivo. Também seriam consumidos energéticos e afins, afinal, não é fácil reviver anos de foda num só dia. Aliás, num só mês, ou ano, dependendo do sucesso da vida de solteiro do rapaz.

No caso da noiva se aplicaria a mesma logística, a exceção que as damas de honra, ajudariam na cerimônia de forma diferente, ainda que com a roupa tradicional, pagando boquetes para os rapazes chegarem preparados para recomer a antiga parceira.

Como encerramento do evento seria fabricada uma rígida pilastra de mármore tendo como tamanho a soma da extensão dos pênis que já penetraram a moça nos tempos de solteira. O objeto seria posto ao lado da cama do casal na noite de núpcias. Ao final de tudo, os amigos e família de ambos se reuniriam para a etapa final da foda da saudade: a destruição da grande (ou gigante) pilastra, marcando o encerramento de uma saudosa fase e advento da nova vida monogâmica do casal. Pelo menos até a próxima foda da saudade.

O que é melhor, uma aula?

ou uma foda?

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E aí? Vai continuar nessa de aula da saudade?

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